Transtorno Borderline, já ouviu falar?




Estima-se que 6% da população mundial sofra desse transtorno, uma doença caracterizada por uma desregulação emocional e que 10% dos pacientes diagnosticados no Brasil, cometem suicídios.

Em 1980 o TPB ( Transtorno de personalidade borderline) do incluído no DSM( Manual de diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) e hoje em dia é um dos transtornos mais preocupantes e questionados.

Tendências autodestrutivas são muito comuns nesss pessoas, assim como tentativas de suicídio, tendência à manipulação, compulsão, falta de limites, abuso de drogas e outras substâncias, sexo promíscuo, automatizações e sensação de vazio crônico, além de uma incapacidade para organizar uma vida social, profissional e amorosa.

A falta de entendimento de si mesmo(.quem ele é, o que gosta, o que quer fazer) provoca no borderline uma necessidade patológica de estar preso a outrem, de forma dependente.

O borderline é 8 ou 80, ou ama ou odeia e essa oscilação pode ocorrer inesperadamente, ele não consegue enxergar o meio termo, demonstrando falta de controle com impulsividade e incapacidade de ser abandonado ou receber críticas.

Diante dessas situações, essas pessoas tem verdadeiras crises de ira, descontrole, depressão, ataques corporais contra si mesma ou outras pessoas, arremesso de objetos e tentativa de suicídio.

A característica da automutilação é presente de várias maneiras, esses indivíduos passam suas vidas fazendo de tudo para sofrerem punições, e em situações de extrema dor causam cicatrizes em seus corpos, com facas, canivetes e pedaço de vidro. Explicam que, a sensação de dor externa, quando se cortam, por exemplo, substitui a dor interna e há um alívio imediato.

Quando há percepção que o "amigo"possui defeitos, o borderline automaticamente reestrutura a sua imagem sobre o outro, e reage de duas possíveis formas, ou ele irá ignorar a existência do outro e se afastar ou tentará se culpar de alguma forma, para que o outro ainda faça parte de sua vida.

Esse mecanismo faz com que afaste as pessoas propositalmente ou inconscientemente , causando um caos ainda maior em sua vida.

Possuem muita dificuldade em manter relacionamentos, por se sentirem o tempo todo sozinhos, abandonados e solitários. Envolvem-se rapidamente, vivem com intensidade, são sedutores, manipuladores, conseguem atrair com facilidade , mas são deixados rapidamente, pois o envolvimento afetivo com essas pessoas é um verdadeiro pesadelo.

É importante o acompanhamento de um psiquiatra e de um psicólogo/ psicanalista, afim de ajudar na redução dos sintomas, pois segundo a literatura, não possui cura, portanto ajuda na busca do self ( identidade), melhora na auto-imagem, redução dos desequilíbrios emocionais apresentados.

Já existem alguns tipos de trabalho que incluem o Mindfulness como ferramenta de auxílio para essas pessoas. Marsha Linehan, profunda conhecedora do tema, criou a terapia comportamental dialética que visa ajudar na mudança de comportamentos com práticas e exercícios.

Esse tema é de fundamental importância, pois você pode ter um Borderline ao seu lado e consequentemente sofrer danos emocionais e talvez achar que essa pessoa possa ser louca, estar fingindo, ser descontrolada, mas, infelizmente é uma doença que precisa ser tratada, portanto se conhece alguém que tenha alguns desses sintomas, sugira procurar um médico e um psicólogo/ psicanalista.

O DSM tem sido uma das principais ferramentas de referência aos critérios diagnósticos das psicopatologias no mundo, que contribuirá adiante como norte para discussão de alguns critérios amplamente aceitos para o psicodiagnóstico. O mesmo fórmula os seguintes critérios fundamentais encontrados em um paciente com características de TPB, ao qual se encontra: “Esforços desesperados para evitar abandono real ou imaginado” (DSM-V, 2014, p.663). Assim como pontuado por Maranga (2002) o borderline desenvolve sempre novos investimentos para um amor incondicional. Ao qual vemos clinicamente tais aspectos se demonstrando a partir da dependência e submissão a relacionamentos abusivos, relacionamentos esses que se fortificam a partir da própria

imagem distorcida de si e de sua forte necessidade de apoio, atenção e amor proporcional ao qual nunca possuirá, pois, os investimentos afetuosos do borderline o faz “depender” do outro para nunca perde-lo, fazendo com que o mesmo se submeta e aceite os abusos para evitar o abandono que para si, seria devastador.

Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos caracterizados pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização” (DSM-V, 2014, p.663).

O borderline em suas relações interpessoais e intrapessoais ampliam inconscientemente as informações que sua percepção interpreta de forma intensa, que de acordo com Hegenberg (2009) o borderline coloca uma lente de aumento nos problemas e situações do seu cotidiano e sofre constantemente com eles, devido à intensidade que o mesmo significa tal situação, gerando situações que poderão vir a ser conturbadora somada a impulsividade, característica desse modo de ser.

“Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e persistente da autoimagem ou da percepção de si mesmo” (DSM-V, 2014, p.663). Zimerman; Hegenberg; Dalgalarrondo e outros autores convergem ao ponto dos possíveis problemas de identidade do sujeito borderline. Ao qual, pessoas com TPB encontra-se em constante angústia a ponto de haver um determinado impedimento de transmitir uma imagem integrada, transmitindo aspectos de uma dicotomia ou ambiguidade em relação a si mesma (Zimerman, 2007) sendo que “esse estado decorre do fato de que o paciente borderline faz um uso excessivo da defesa de dissociação dos distintos aspectos do seu psiquismo, que permanecem contraditórios ou em oposição entre si” (p.230).

“Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente autodestrutivas” (DSM-V, 2014, p.663). Segundo Dalgalarrondo (2008) há tendências no comportamento borderline de certa impulsividade e agressividade devido temperamento explosivo que interfere em suas relações, desencadeadas pelo aumento de proporção da situação, ao qual o faz reagir à frustrações, contradições e outros aspectos que possam se opor ao que o sujeito borderline pensa.

“Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento auto- mutilante” (DSM-V, 2014, p.663). Devido vazio, perda de si e as constantes angústias intensificadas ao sujeito, provoca em alguns casos a necessidade de alívio do sofrimento, que muitas vezes o mesmo se dá através das tentativas incansáveis de suicídio ou automutilação a fins de descargas emocionais. A automutilação possui valor simbólico, repleto de significados peculiares a cada sujeito. Pois, o mesmo não busca se auto exterminar más por este meio busca alívio de suas angústias. “Instabilidade afetiva devida a uma acentuada reatividade de humor” (DSM-V, 2014, p.663). A instabilidade de humor do paciente borderline, embora se estabeleça pela constante mudança de seus sentimentos mediante as situações, a mesma ocorre de forma inconsciente ao sujeito, sendo essa instabilidade facilmente percebida por terceiros e muitas vezes negada pelo próprio, que tentará de alguma forma atribuir à culpa de suas instabilidades do humor aos que o rodeiam ou aos demais eventos que possam vir a ser o causador do seu mau-humor, por exemplo, buscando sempre aspectos, situações ou palavras que justificam tal mudança.

“Sentimentos crônicos de vazio” (DSM-V, 2014, p.663). O sentimento de vazio existente no borderline o faz desejar preenche-lo de alguma forma, fazendo com que este vazio que outrora se apresenta como uma constante angústia e frustração o leve para situações de novas experimentações, como sexuais, alcóolicas, drogas lícitas e ilícitas, esportes radicais, dentre outros.

intensa e inapropriada ou dificuldade em controlá-la” (DSM-V, 2014, p.663). Assim como Hegenberg salienta sobre a lente de aumento sob as demais situações, o sujeito borderline experiência determinada intensidade em suas emoções que provoca raiva intensa muitas vezes associada a comportamentos impulsivos devidos a dificuldade de controle e falta de habilidades socioemocionais. “Ideação paranoide transitória associada a estresse ou sintomas dissociativos intensos(DSM-V, 2014, p.663). Segundo Zimerman (2007), é comum determinado grau de psicose em pacientes borderlines, sendo que para diferenciarmos dos quadros psicóticos comuns aos contextos clínicos, nos casos de pacientes borderlines percebemos a apresentação de um juízo crítico e senso da realidade. Ao qual Dalgalarrondo (2008) aponta que esses pacientes apresentam dados de alucinações de aspecto auditivo, como, por exemplo, nos casos de alcoolismo em uma determinada frequência, embora não seja uma regra que se aplica a todos borderlines.

Por: Paulo Rocha

www.paulorochasoul.com

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